Profissional de saúde comportamental com 3 anos de experiência

Shelby Wilson, de 30 anos, reside no Condado de Aroostook e trabalha, há três anos, como profissional de saúde comportamental. Interessada em ajudar crianças com historial de trauma, trabalha com agências, em contexto de grupo e em ambiente domiciliário.

Como descreveria o seu percurso profissional?

Comecei por prestar treino de capacitação para o desempenho de atividades diárias e acabei como terapeuta especializada em reabilitação de crianças e no apoio à comunidade. Antes de começar a trabalhar como terapeuta, trabalhei com jovens carenciados ajudando-os a obter acesso a recursos comunitários e a oportunidades de frequentar o ensino superior.

Fiz várias formações necessárias para a minha certificação na área da Saúde Comportamental, como por exemplo, reanimação cardiopulmonar (RCP) /Primeiros socorros, formação no sistema MANDT (uma formação em interação em caso de crise comportamental), Relatórios Mandatados, desparasitação e tratamento de piolhos e prestação de cuidados a pessoas com problemas de génese traumática.

O que consideraria um sucesso na sua área de trabalho?

As pessoas compassivas que desejem prosseguir uma carreira na área da Saúde Comportamental podem começar por ser pacientes com alguém que se encontre em estado de crise ou bondosas com uma pessoa portadora de necessidades especiais.

Como diz a Madre Teresa: “Nem todos conseguimos fazer coisas grandiosas. Mas conseguimos fazer pequenas coisas com grande amor.” Embora eu viva de acordo com este mantra, tenho também de discordar que essas pequenas coisas, esses atos de amor, tornem o nosso trablalho grandioso.

Como descreveria o impacto do seu trabalho enquanto profissional de Saúde Comportamental?

Trabalhei com um cliente, em particular, durante três anos. Esse cliente tinha ligeiras dificuldades intelectuais e tinha consciência de que isso o separava dos seus pares em termos sociais.

Durante os primeiros seis meses, trabalhámos para que se conseguisse lembrar do meu nome. Eu era a pessoa adulta segura que ele tinha de ser capaz de identificar em caso de emergência. Trabalhámos frequentemente no reconhecimento de palavras importantes que o ajudassem a ser capaz de procurar recursos comunitários. Por vezes, vinha ter comigo e fazia-me pergunta aleatórias, como por exemplo: “Quanto é 10 vezes 10?”.

Numa ocasião, quis aprender uma palavra que achou engraçada, mas primeiro, tinha de conseguir reconhecer as palavras de uma lista que eu lhe tinha dado. Enquanto profissional de Saúde Comportamental não pude recusar esta oportunidade de fazer um acordo e, então, concordei em ensinar-lhe a palavra. Este jovem aprendeu a lista diária de palavras e realizou os trabalhos de casa com distinção. Em conversa comigo, admitiu que os colegas lhe colocavam frequentemente questões de matemática, para gozarem com a sua incapacidade de os resolver. No edifício da nossa agência, perguntou-me qual era o meu escritório. Eu respondi que os escritórios se destinavam aos coordenadores, aos diretores e às pessoas importantes da agência. Ao que ele respondeu: “Mas tu também és importante. Ensinaste-me que 10 vezes 10 é 100 e ensinaste-me a reconhecer palavras engraçadas”. Do meu ponto de vista, estes gestos pareciam insignificantes, mas a ele deram-lhe um sentimento de confiança que nunca tinha demonstrado antes, e isso aumentou o meu sentimento de missão de forma arrebatadora.

Que conselho gostaria de dar às pessoas que se queiram tornar profissionais de Saúde Comportamental?

É muito importante sermos pessoas abertas e com grande capacidade de compaixão. Quando trabalhamos com dificuldades mentais e comportamentais, não podemos julgar as pessoas. Em vez de querer alterar um comportamento, procuro identificar a raiz do problema. Por exemplo, se o pequenoTimmy bater com a cabeça na mesa sempre que está com fome, não é útil dizer ao Timmy para parar de bater com a cabeça –porque esse comportamento não é correto – será muito mais útil dizer-lhe: “O que achas de fazermos um intervalo para comer alguma coisa?”. A melhor forma de percebermos se temos aptidão para esta área, especialmente se trabalharmos com crianças, é passar algum tempo a observá-las. Temos de observar os seus comportamentos e as suas interações e sabermos colocar-nos na sua pele.

Qual considera ser o tipo de pessoa ideal para trabalhar nesta área, quer em termos de personalidade, quer em termos de carácter?

Tem de ser uma pessoa alegre e apaixonada pelo que faz. Se alguém vier para esta profissão, trabalhar com adultos ou crianças, e encarar cada dia apenas como mais um dia de trabalho e não um dia de construção de relações humanas e competências sociais, este não será o tipo de trabalho indicado. Ter a mentalidade certa é um fator fundamental nesta profissão.

O que gostaria que as pessoas que não trabalham nesta área soubessem sobre os desafios diários da sua profissão?

Se viverem no Condado de Aroostook, a questão do transporte pode ser desafiante. O meu carro já tem 215,000 milhas e a maior parte delas foram percorridas nos últimos três anos em que estive a trabalhar. Por vezes, demoro 30 a 40 minutos a chegar a um cliente. A minha agência tenta posicionar-nos de forma a estarmos mais próximos das populações que servimos, no entanto, nem sempre funciona. Quanto mais rural é uma população, mais difícil se torna assisti-la. Existe um reembolso de milhagem, mas com o aumento do custo dos combustíveis, os salários não estão à altura do nível e da qualidade dos cuidados que prestamos. Uma outra questão é o facto de, tal como acontece com os professores, acabarmos por pagar muitos dos materiais do nosso bolso. Se estivermos a trabalhar competências de interação ou a ensinar uma criança a jogar um jogo de tabuleiro com outra criança, de onde vem esse jogo de tabuleiro? Uma pessoa que queira desenvolver este tipo trabalho tem de ter um grande sentido de compromisso.

O que quer que os futuros profissionais saibam sobre as recompensas de trabalhar na área da Saúde Comportamental?

É preciso que as pessoas entendam que as recompensas são muito pessoais; não são monetárias. As recompensas são as ligações que se criam e o sucesso que se testemunha.

E para vermos progressos, temos de ser flexíveis. Por exemplo, imaginemos uma criança com uma deficiência ou com uma condição de saúde grave que tem dificuldades de interação social. Imaginemos que um dia esta criança decide que quer ir jogar basquetebol com outras crianças em vez de trabalhar num orçamento. Temos de a deixar ir. Tento sempre planear as minhas sessões diárias, mas se vir que esta criança que tem dificuldade em fazer amizades quer fazer algo que vai reforçar as suas interações sociais, ignoro essa parte do plano diário e deixo-a ir. A recompensa é ver esta criança a fazer amigos.

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