Mais de 20 anos de experiência em Prestação de Cuidados Diretos

Tendo crescido ao lado de membros da família que lutaram para superar as suas dificuldades, Justin sentiu, desde cedo, um apelo para a prestação de cuidados diretos. O Justin trabalha como Prestador de Cuidados Diretos no Condado de Kennebec, e trabalha há seis anos como Especialista em Lesões Cerebrais, ajudando pessoas com danos cerebrais a alcançarem os seus objetivos pessoais e profissionais.

Como descreveria o seu percurso profissional?

Cresci numa grande família e tinha um tio com poliomielite e o outro paralisado da cintura para baixo. O meu tio com paralisia, tinha uma doença genética rara que fazia com que as suas cordas vocais endurecessem e os seus músculos paralisassem. Tinha o oitavo ano de escolaridade, mas era muito inteligente e aprendeu álgebra sozinho. Foi a minha principal inspiração para me envolver nos cuidados diretos, porque conseguiu desafiar todas as barreiras. Os médicos disseram que não ia viver mais de 12 anos e viveu até aos 59 anos. A minha mãe também trabalhava com pessoa com défices de desenvolvimento, por isso cresci, de certa forma, rodeado por este tipo de trabalho.

Quando terminei o ensino secundário, um amigo perguntou-me se queria tornar-me num Profissional de Cuidados Diretos. Em 2000, prestei cuidados ao domicílio na área de Farmington e em 2006 tornei-me Profissional de Cuidados Diretos. Em 2008, obtive o meu certificado de MHRT-1 (Técnico de Reabilitação de Saúde Mental) e, depois, fiz a minha formação em CBIS (Especialista Certificado em Lesões Cerebrais). Atualmente, trabalho como Especialista em Lesões Cerebrais. Fui formador profissional e auxiliar de medicação residencial certificado (CRMA). Fui líder de equipa e gestor de um programa residencial. Estas funções não se limitavam à gestão de casos. Eu estava na linha da frente. Tenho uma experiência bastante diversificada na área dos serviços sociais.

Normalmente, a formação básica é facultada e paga pelo empregador, aquando da contratação, e a maior parte das agências pagam as horas de formação. Também tirei partido do programa de reembolso de funcionários para pagar o meu Bacharelato. Todas as minhas formações e recertificações foram pagas pela empresa.

O que consideraria um sucesso na sua área de trabalho?

Penso que as formações ajudaram, mas, honestamente, é mais importante conhecer a pessoa com quem se está a trabalhar. É preciso encontrar um equilíbrio para prevenir conflitos de poder. Conhecer a pessoa com quem estamos a trabalhar, saber o que despoleta emoções e atitudes complicadas ou o que a chateia – conseguir identificar estes aspetos antes que se tornem num problema – é a chave para o sucesso. Temos de nos lembrar sempre de que estamos a lidar com seres humanos – que somos visitantes nas suas casas, e tratá-los com respeito, fazê-los sentir que têm controlo sobre a sua vida. O melhor presente que podemos dar a um cliente é a sua independência.

Como descreveria o impacto do seu trabalho enquanto Prestador de Cuidados Diretos?

Trabalhei com um homem durante dois anos, que teve um acidente de trabalho [militar] que lhe provocou uma lesão cerebral. O seu sentido de equilíbrio estava completamente disfuncional, estava confinado a uma cadeira de rodas e eu estava a reensiná-lo a andar. Quando começámos, incentivei-o a levantar-se e a caminhar, mas isso causava-lhe dor, por isso, começámos mais devagar, com passinhos mais pequenos. Antes de iniciar outro programa, conseguimos pô-lo a caminhar 75 passos com um cinto de transferência. Passar de uma cadeira de rodas para um cinto de transferência (um dispositivo utilizado por prestadores de cuidados com pessoas que têm problemas de mobilidade) no espaço de um ano foi incrível; algo que o fisioterapeuta dele disse que não seria possível. Quando os pais dele o vieram visitar, tirámo-lo da cadeira de rodas, pusemo-lo num cinto de transferência, e ele caminhou 75 passos desde o quarto até à mesa da cozinha. Quando se sentou na cadeira da cozinha, o olhar no rosto da mãe dele foi de um valor inestimável. Fez com que tivesse ainda mais vontade de continuar a tentar andar. Foi uma vitória pessoal e profissional para ambos, porque ambos tivemos a oportunidade de dizer ao fisioterapeuta: “Vês? Eu disse-te!”. Há muito tempo que não tinha tido uma experiência tão gratificante como aquela.

Que conselho gostaria de dar às pessoas que se queiram tornar Prestadores de Cuidados Diretos?

Conhece-te a ti mesmo. Faz o teu trabalho de casa e certifica-te de que isto é algo que gostarias de fazer. Marca uma entrevista, talvez. A única coisa que precisas de investir é um pouco do teu tempo. Contacta agências locais e coloca questões aos Recursos Humanos sobre a natureza do trabalho. Pergunta a ti mesmo: “Consigo fazer aquilo que eles precisam?”.

Liga para uma universidade local, por exemplo para o curso de MHRT no Kennebec Valley Community College, e pergunta-lhes quais os custos do programa e o que é que o programa inclui. O Muskey Center é uma excelente fonte de recursos. Pesquisa serviços, requisitos de formação, responsabilidades e funções, desistências e pergunta se existe algum custo.

Acompanha alguém no seu trabalho durante algumas horas, se alguém se disponibilizar para isso. Informa-te sobre as diferenças entre os programas de dia e os programas residenciais. Faz uma pesquisa sobre o Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Maine e outras instituições não lucrativas.

Se já tiveres sido um Guia em Maine, poderás enquadrar-te melhor num programa de dia, onde fazem saídas e passeios diários. Mas se gostas de cozinhar e de trabalhos manuais, poderás enquadrar-te melhor num programa residencial.

Qual considera ser o tipo de pessoa ideal para trabalhar nesta área, quer em termos de personalidade, quer em termos de carácter?

Tem de ser uma pessoa dedicada, envolvida, de mente aberta e que se lembre sempre de que as pessoas são aquilo que são. É essencial ser-se um bom ouvinte e ser-se paciente. Temos de ser bondosos e atenciosos, mas também temos de saber manter uma boa “capa de proteção”.

As pessoas com lesões cerebrais dizem coisas que não sentem. Temos de ser pacientes e compreensivos, e não controladores ou dominadores.

O espírito de empreendedorismo ajuda, uma vez que este percurso tem muitos contratempos, por isso é bom tomares a iniciativa. Sê astuto e aprende a dar a volta às situações emocionais com os teus clientes.

Também é essencial estabelecer fronteiras profissionais com os clientes. Podes partilhar um pouco da tua vida, mas define muito bem os teus limites. Há uma linha muito ténue que separa o que podes e o que não podes divulgar. Não leves o trabalho contigo para casa – aprende deixar algumas coisas fora do domínio da vida pessoal e privada.

O que gostaria que as pessoas que não trabalham nesta área soubessem sobre os desafios diários da sua profissão?

Os desafios diários são difíceis, dependendo do cliente. Temos um cliente que está confinado a uma cama e precisa de cuidados pessoais, banhos, medicação e consultas médicas. Esta profissão tem muito que se lhe diga. Cada cliente apresenta um conjunto muito específico de desafios. Algumas pessoas conseguem fazer as coisas sozinhas e outras nem sequer conseguem ir à casa de banho sem ajuda. Por isso, o desafio é conheceres as tuas limitações e saberes aquilo que estás, ou não, disposto a fazer. Se não estás disposto a prestar cuidados pessoais e a dar banhos, provavelmente esta não é a profissão indicada para ti. Mas se isso não é problema para ti, se gostares de fazer saídas com os clientes, cumprir prazos e prestar atenção aos detalhes, vais sair-te bem nesta profissão.

O que quer que os futuros profissionais saibam sobre as recompensas de trabalhar na área dos Cuidados Diretos?

Ah, existem muitas! Ver pessoas com barreiras físicas e mentais alcançarem objetivos que nunca pensaram ser possíveis – é uma das maiores recompensas. Outra recompensa é ver as pessoas passarem de um “Não sou capaz” para um “Agora já consigo”. É incrível. Uma vez mais, prende-se muito com o facto de devolver independência às pessoas. A maior recompensa é sabermos que os ajudámos nessa conquista. O nosso trabalho também envolve atividades divertidas: como ir a jardins zoológicos, acampar ou pescar. E também ajudamos as pessoas a arranjar emprego, a aprender a preencher uma candidatura e coisas desse género.

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