Assistente Social/Consultor com mais de 40 anos de experiência

Ray*, de 66 anos, começou a trabalhar como assistente social/consultor na região Centro-Oeste aos 20 anos e conta com mais de 45 anos de experiência nesta área. Atualmente, vive em Maine e trabalha com adultos na área da saúde mental. Num verão, depois de ter trabalhado numa fábrica com funcionários com dificuldades de desenvolvimento e de ouvir as suas histórias sobre a experiência de viver numa instituição, começou a questionar-se como poderia ajudar pessoas nesta situação e aceitou um trabalho como assistente social.

Como descreveria o seu percurso profissional?

Depois daquele emprego de verão, na fábrica, onde percebi que havia imensos ex-residentes sem apoio suficiente, fiz algumas cadeiras universitárias na área da intervenção social, mas acabei por me licenciar em Sociologia. No meu primeiro emprego, depois de concluir o curso, trabalhei como técnico de acompanhamento de emprego com jovens, adultos e seniores que precisavam de formação e/ou de adquirir experiência de trabalho. A minha função era pesquisar possíveis oportunidades de trabalho na comunidade e encontrar empregadores que pudessem ajudar estas pessoas a regressarem ou a ingressarem no mercado de trabalho. Trabalhei com muitas pessoas que viviam na pobreza, que tinham dificuldade em aprender competências básicas de vida ou que precisavam de ajuda para aprender a ler e a escrever.

Depois de trabalhar com jovens, serviços de apoio à família e adolescentes problemáticos, trabalhei na área do acolhimento familiar e ajudei muitos jovens a transitarem para um modo de vida mais independente. Nessa altura estava disponível por telefone 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Quanto mais trabalhamos na área da intervenção social, mais capacidade temos para identificar oportunidades diferentes e mais adequadas – e isso é absolutamente fundamental para ajudar a prevenir um esgotamento.

O que consideraria um sucesso na sua área de trabalho?

Consegui integrar valores que me foram transmitidos em algumas das cadeiras de intervenção social que fiz na universidade. Aprendi os princípios do serviço, da dignidade e do valor das pessoas assistidas. Neste tipo de trabalho, é importante por os interesses pessoais de lado, saber reconhecer e desenvolver os pontos fortes das pessoas, celebrar as suas conquistas e ajudá-las a superar os traumas/dificuldades que experienciaram.

Tive dois professores que eram profissionais experientes e encaravam com muita seriedade o seu trabalho enquanto formadores na área da assistência social. Aprendi que existem determinados códigos de ética e padrões que governam este tipo de trabalho. A vontade, o conhecimento e o entusiasmo genuíno destes dois professores foram uma inspiração para mim, e ajudaram-me ao longo do meu percurso. Na verdade, antes do meu primeiro trabalho como assistente social, tinha decidido inscrever-me em algumas cadeiras de pós-graduação nesta área. E foi muito interessante perceber que os meus colegas tinham idades entre os 20 e os 50 anos, e experiências de trabalho muito diferentes, desde a área do ensino à área da administração empresarial. Por isso, qualquer pessoa pode iniciar este percurso, em qualquer idade.

Como descreveria o impacto do seu trabalho enquanto assistente social?

É importante encorajar todas as pessoas com quem trabalhamos e dizer-lhes que são capazes de conquistar novas coisas – e o facto é que se sentirão capazes. A competência mais importante nesta profissão é simplesmente saber escutar – fazer com que as pessoas saibam, mesmo que da forma mais subtil, que estamos a refletir sobre os seus problemas e preocupações.

Que conselho gostaria de dar às pessoas que se queiram tornar assistentes socias?

Devem procurar saber o que fazem os assistentes sociais e fazer perguntas para perceberem se seria um tipo de trabalho que gostariam de desenvolver. O que acontece é que nesta área podemos trabalhar em muitos contextos diferentes: por exemplo, num hospital, numa instituição como, por exemplo, uma unidade correcional, num centro de repouso, em cuidados ambulatórios e com pessoas que consomem substâncias.

O que gostaria que as pessoas que não trabalham neste sector soubessem sobre os desafios diários da sua profissão?

Bem, uma coisa que não fazemos é exaltar o nosso trabalho o suficiente. Estamos aqui para servir, mas fazêmo-lo de forma discreta e respeitadora. Neste sector, é importante encontrar o mentor certo — ter alguém que nos pergunte “Há alguma coisa em que precises de ajuda? Estás a ter algum tipo de dificuldade?”.

O que quer que os futuros assistentes saibam sobre as recompensas do trabalho social?

O que mais me motivou foi o facto de perceber que algo que eu possa dizer ou fazer pode fazer toda a diferença na vida de alguém. Ver as crianças com quem trabalhei ao longo dos anos a prosperar – foi o que realmente me deu força para continuar a desenvolver o meu trabalho.

Por vezes, leio anúncios no jornal local sobre estudantes que concluíram a sua graduação ou vejo listas de alunos no quadro de honra e vejo o nome de um jovem a quem prestei assistência – nesses momentos sorrio e penso, este miúdo conseguiu vingar!

O que acha que poderia atrair mais trabalhadores para o sector da assistência social em Maine?

Primeiro, reconheço que temos de divulgar mais informação sobre o trabalho que desenvolvemos. Gostava que os assistentes sociais tivessem um lema, como algumas empresas, do género: “Somos bons ouvintes!” Uma pessoa que se dedique a esta área, fará parte de uma equipa orgulhosa e dedicada de pessoas que ajudam outras pessoas a superar momentos de crise.

*O nome foi alterado por questões de privacidade

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