15 anos de experiência em Prestação de Cuidados Diretos

Carmen Harris, tem 68 anos, reside no Condado de Lincoln e trabalha como Profissional de Cuidados Diretos numa empresa de prestação de serviços a pessoas com deficiências físicas e intelectuais.

Como descreveria o seu percurso profissional?

A minha formação de base é a de Especialista Comportamental. Iniciei a minha carreira a trabalhar com crianças, o que, na altura, pensava que era a minha paixão. Mas o que descobri foi que alguns pais tinham de mudar as suas atitudes para que as crianças pudessem mudar o seu comportamento.

Trabalhei no projeto New Hope for Women (Uma Nova Esperança para as Mulheres) durante cinco anos, entre 1990 e 1995. No âmbito desse projeto, conheci uma senhora que trabalhava no Departamento de Saúde e Serviços Humanos (DHHS), no programa de acolhimento de menores, e que me encorajou a tornar-me numa mãe de acolhimento. Então, decidi acolher dois rapazes adolescentes. Este era o seu último recurso — ou iam comigo, ou iam para um reformatório. Fiz acolhimento durante 11 anos e, depois, comecei a pensar em reformar-me.

O que consideraria um sucesso na sua área de trabalho?

Nesta profissão, aprendi a comunicar com pessoas que não são capazes de articular mais de meia dúzia de palavras, o que é algo que a maior parte das pessoas não consegue fazer. Este trabalho requer muita empatia e a compaixão. Eu achava que sentia empatia e compaixão pelas pessoas, no geral, mas não achava que seria capaz de o sentir com as pessoas com quem acabei por trabalhar. No entanto, após muitos anos nesta profissão, acabei por desenvolver uma empatia e uma compaixão muito mais profundas pelas pessoas que acompanho.

Como descreveria o impacto do seu trabalho enquanto Profissional de Cuidados Diretos?

Depois de me reformar, decidi trabalhar apenas a tempo parcial num restaurante em Damariscotta. De vez em quando, um grupo de pessoas com deficiências físicas e intelectuais vinha almoçar com o cuidador responsável. Havia um homem, em particular, com o qual eu evitava, ao máximo, estar em contacto. Acontece que o centro comunitário fez uma sessão aberta de contratação e dei por mim a preencher a candidatura e a ser contratada de imediato. Na entrevista, disse: “Nunca quero trabalhar com este individuo em particular [que costumava ir almoçar ao restaurante]. É demasiado!”. Estava constantemente a falar, mas não utilizava palavras, só algaravia, por isso, não o conseguia perceber. E queria sempre a atenção de toda a gente.

Apenas dois meses depois de começar a trabalhar no centro, puseram este homem ao meu cuidado. Eu pensei: “Não sou capaz de fazer isto”. Mas o tempo foi passando e, um dia, levei-o à igreja. Quando estávamos a regressar a casa, de carro, havia motas de neve na berma da estrada e, então, perguntei-lhe: “Queres fazer aquilo”? E ele disse: “Não”. Perguntei: “Porquê?”, e ele passou um dedo pelo pescoço e estalou o dedo. Naquele momento, percebi que ele estava a querer dizer: “Vou partir o pescoço”. E comecei a chorar, por perceber que tinha sido muito injusta com este homem, ao achar que não percebia uma única palavra do que eu dizia. Apesar de ele ser não verbal, finalmente, eu estava a começar a percebê-lo. E acabou por se tornar numa das minhas pessoas preferidas. Levei-o à Disney World duas vezes. Este senhor é uma autêntica pérola.

Que conselho gostaria de dar às pessoas que se queiram tornar Prestadores de Cuidados Diretos?

Penso que é um trabalho a tempo parcial ideal para as pessoas mais velhas, sobretudo as que estão a pensar reformar-se, mas ainda querem dedicar o seu tempo a algo significativo. É muito gratificante trabalhar com estas pessoas. Todos os dias, vou para casa com um sorriso no rosto porque houve algo que me alegrou. Todos os dias! E isto não quer dizer que não haja dias em que as coisas não corram bem. Mas compete-me a mim perceber o que é que os meus clientes me estão a tentar dizer e ajudá-los.

Um outro conselho que daria a novos Profissionais de Cuidados Diretos seria o de procurarem acompanhar temporariamente as atividades dos locais onde querem trabalhar, ou fazerem um estágio nesses locais, para tentarem perceber se se adequam a esse contexto.

Qual considera ser o tipo de pessoa ideal para trabalhar nesta área, quer em termos de personalidade, quer em termos de carácter?

Penso que ter sido mãe e avó me ajudou a trabalhar com algumas das pessoas que acompanhei. Mas, essencialmente, tudo se resume à compaixão. Esta é a principal competência que temos de empregar diariamente nesta profissão.

O que gostaria que as pessoas que não trabalham nesta área soubessem sobre os desafios diários da sua profissão?

Temos de ser flexíveis e navegar a favor da corrente. O dia pode não correr da forma como tínhamos esperado — mas é importante fazer o que o cliente quer, perceber qual é o seu estilo e como se está a sentir. Este trabalho não se prende tanto com aquilo que nós queremos, mas sim com o que os nossos clientes precisam.

O que quer que os futuros profissionais saibam sobre as recompensas de trabalhar na área dos Cuidados Diretos?

Quando a minha cliente sorri, que é algo que não faz com muita frequência, e é genuíno – essa é a minha recompensa. Faz umas covinhas maravilhosas nas bochechas. Já a vi sorrir ara agradar a alguém, mas quando sorri para mim e aparecem aquelas covinhas, sei que consegui chegar até ela.

Quando a população, no geral, não consegue compreender os nossos clientes, mas nós conseguimos, isso fá-los sentirem-se escutados e compreendidos.

Diria que 90 por cento dos clientes não verbais conseguem dizer a palavra “abraço”. E o cliente de que falei anteriormente, não só disse a palavra “abraço” como a palavra “abraçar”. Por isso, abracei-o até ele não precisar mais. É aquela ligação humana que se cria com as pessoas. Quando a população, no geral, não consegue compreender os nossos clientes, mas nós conseguimos, isso fá-los sentirem-se escutados e compreendidos. Cerca de 90 por cento dos clientes na nossa agência são colocados lá pelas suas famílias e, a maioria deles, acabam por ser esquecidos. No entanto, as duas pessoas que referi, têm família. Para o resto dos clientes, nós somos a sua família.

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